Na Mantiqueira, contos e encantos para as crianças

Oficina Histórias para contar, com Renata Fuentes

Os olhos sonhadores e expressivos de Rayane Ferreira contrastam com a aparente timidez da menina de 10 anos que acompanha com atenção a oficina ‘Histórias para contar’, da mediadora cultural Renata Fuentes.

Em casa e munida de poucos materiais, Rayane brinca de ser o que quiser: princesa ou super-heroína; personagem de novela ou artista de TV. “Quando ela me disse que queria ser artista, eu torci o nariz. Onde já se viu? Querer pensar em arte quando a nossa realidade é tão difícil? Mas o tempo foi passando, ela cresceu e eu percebi que ela gostava mesmo disso. Se ela está feliz, eu fico feliz também. E me sinto realizada, como mãe, quando ações de cultura sobem aqui na Mantiqueira”, afirma a dona de casa Quitéria Maria Ferreira da Silva.

Rayane, a pequena cubatense que sonha em ser artista, é uma das 20 crianças do bairro da Mantiqueira que frequentaram a oficina ‘Histórias para Contar’, ação da segunda edição do Circuito de Cultura Popular realizada em apoio com o SESI Cubatão.

O objetivo da oficina é propor a vivência na oralidade e na escrita através da leitura, trabalhando o vocabulário, estimulando a memória, a reflexão, a imaginação e a criatividade de crianças dos 6 aos 12 anos. A ação aconteceu na sede da Associação de Promoção e Assistência Social Estrela do Mar, localizada na comunidade onde residem pouco mais de 100 famílias, distante 13 quilômetros do centro de Cubatão, nas encostas da Serra de Piaçaguera.

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E foi nesse ambiente que poucas vezes recebeu atividades artísticas que a mediadora cultural Renata Fuentes usou a arte de contar histórias e demais objetos lúdicos – como o fantoche – para inspirar crianças e transmitir valores.

“A intenção é estimular a imaginação e a criatividade para que as crianças criem seus próprios meios de contar histórias, mesmo com poucos recursos. Estamos aqui para mostrar que eles podem escrever e viver suas próprias histórias, com respeito e sem preconceitos”, afirma a mediadora.

Nas mãos de Renata, os recursos disponíveis foram usados para ensinar valores essenciais, como respeito, gentileza, educação e companheirismo. “Contar histórias é uma grande brincadeira séria. Por meio da conversa, ensinamos valores que precisam ser resgatados e aprimorados nessa geração que está chegando, para que eles possam fazer a diferença lá na frente. A cultura é o caminho”, finaliza.

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