Heranças da senzala – jongo, a dança da resistência

Jongo dos Cafezais – Grupo Zabelê de Cultura Popular (Cubatão)

Jongo do Tamandaré – Associação Jongueira do Tamandaré (Guaratinguetá)

Jongo de Piquete – Pontão de Cultura Jongo/Caxambu (Piquete)

Dança de raiz africana, o jongo foi a manifestação cultural que mais esteve presente na segunda edição do Circuito de Cultura Popular. Reunindo grupos tradicionais do Vale do Paraíba e da Baixada Santista, a programação deu destaque para a tradição característica da região Sudeste praticada pelos escravos como forma de lazer e resistência à dominação colonial.

jongo

Carregado de um forte significado religioso, o Jongo foi trazido para o Brasil pelos escravos, principalmente do Reino do Congo. Eles vinham trabalhar nas fazendas de cana-de-açúcar e café do Vale do Paraíba, onde viviam em senzalas, tendo apenas sua dança e música como formas de se expressar. Eram nos pontos do jongo que eles podiam fazer suas crônicas, críticas e se defender da opressão a que eram submetidos sem que os senhores de engenho e seus capatazes o compreendessem.

Tradicionalmente, o Jongo é um jogo de adivinhação com pontos cantados em tom de mistério e magia com significados sagrados. A dança se origina na tradição da umbigada, onde homem e mulher fazem jogos circulares entre si no meio de uma roda, alternando-se de forma harmônica e ritmada.

Jongo dos Cafezais. Apresentado em dois períodos no pátio da UME Luiz Pieruzzi Netto, em Cubatão, o Jongo dos Cafezais, do Grupo Zabelê de Cultura Popular foi criado com o intuito de garantir a manutenção da tradição popular.

“Nosso objetivo em dançar o jongo na Baixada Santista é fazer um convite para que o jovem possa conhecer essa rica cultura e não deixar a tradição morrer. Quando começamos a dançar para o público, estamos em sintonia e abrindo espaço para valorização da arte e das pessoas que resistiram para que ela sobrevivesse. É uma homenagem fiel e muito verdadeira para os nossos ancestrais”, destaca Juliana Clabunde.

Jongo do Tamandaré. “O jongo é uma tradição que passa de geração e tem mais de 200 anos de história em Guaratinguetá. Na nossa tradição, um grupo de várias religiões participam dessa dança afro-brasileira em memórias dos nossos ancestrais”, destaca André Luiz de Oliveira, líder do grupo e vice-presidente da Associação Cultural Jongueira do Tamandaré.

Na Praça da Independência, no Jardim Casqueiro, em Cubatão, uma sucessão de pares se alternaram na roda, enquanto os cantadores puxaram os pontos e os tambores. A expressão ‘Cachuera!’, entoada pelos cantadores, é sinal para que os tambores parem de tocar. Representantes de todas as gerações dançaram dentro da roda, debaixo da estrutura montada pelos organizadores do Circuito de Cultura Popular. Crianças, adultos e idosos, enquanto dançavam, instintivamente estavam lutando também pela preservação da história.

Jongo de Piquete. Mesclando a tradição do jongo com ações educativas nas escolas da Vila Eleotério, o Jongo de Piquete, conduzido pelo mestre Gil, reúne cerca de 60 jongueiros. O grupo encerrou as atividades da segunda edição do Circuito de Cultura Popular em Guarulhos, revivendo pontos e passos preservados pelos mais velhos ao som do tambor.

“A nossa dança nasceu nas senzalas, onde os escravos se reuniam após os trabalhos pesados. O jongo tem mais de 150 anos de história no Vale do Paraíba. Acreditamos ser de fundamental importância descentralizar a cultura e trazer o jongo para espaços públicos das grandes metrópoles, como forma de resgatar o patrimônio cultural do Brasil”, aponta Gil.

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