Fórum de Cultura Popular | A cultura Popular Ontem e Hoje

Mediação: Associação Cultural Cachuera!

Participação: Mestre Totonho, do Jongo de Tamandaré

Mestre Penteado, da Vai-Vai

Mestre José Geraldo Oliveira, Capoeira Meninos Guerreiros

“Nosso principal objetivo é preservar os antepassados e seguir a cultura que eles deixaram. Fazemos isso, cada um de sua forma, em homenagem aos negros que aqui sofreram e morreram apenas pelo fato de ter uma cor de pele diferente”. A fala do mestre Totonho, do Jongo do Tamandaré, abriu o Fórum de Cultura Popular – A Cultura Popular Ontem e Hoje, atividade de formação proporcionada pela segunda edição do Circuito de Cultura Popular em Cubatão.

dia-28_forum-de-cultura-popular-2

O encontro teve como objetivo transmitir ensinamentos e valores sobre três segmentos da cultura que têm a mesma descendência: Samba, Jongo e Capoeira. Debaixo da tenda do Circuito, montada na Praça da Independência, mais de 80 pessoas sentaram e ouviram três mestres contando sobre o passado.

“Em nosso bairro há um cemitério de negros escravizados que morreram nas senzalas. Precisamos preservar sua herança, para fazer jus à maldade que aconteceu com a nossa raça. Resolvemos contar através da melodia e passar para o mundo o que é o jongo e a herança que ele carrega. O negro lamentava na senzala o que sofria por meio da música. É um canto de resistência”, destacou Mestre Totonho.

O Jongo era dançado pelos negros que trabalhavam nas plantações de café do Vale do Paraíba e nas fazendas do sul de Minas Gerais e do Espírito Santo. De acordo com Totonho, o jongo na senzala era – mais do que uma dança – uma disputa de força entre os negros escravizados. Ele também citou aspectos da manifestação, como o fato de que quando o jongueiro deseja parar a dança e cantar um novo ponto, grita ‘Cachuera!’ ou ‘Machado!’, dependendo da região.

Mestre Penteado, da Vai-Vai, enalteceu a importância e a espiritualidade encontrada em meio a uma roda, como a que estava montada debaixo da tenda do Circuito de Cultura Popular. “No candomblé, uma roda tem muita espiritualidade pois é purificada e repleta de energia. A roda de samba que hoje todo mundo faz nasceu no século 16, na senzala”, afirmou.

Ele também abordou o significado da umbigada ou do sembo, estilo musical angolano que originou o samba que conhecemos hoje, com identidade própria e nova sonoridade. “A umbigada nasceu nas danças de roda trazidas pelos escravos bantos. A energia proporcionada por essa troca de energia significa, em outras palavras, que eu posso não saber o que você está falando, mas por meio do encontro dos nossos corpos eu sei o que você está sentindo”, apontou.

Capoeira. “Não dá para dizer com exatidão quem criou a capoeira. Ela foi originada através de várias manifestações que ocorriam nas senzalas, como o jogo bate-coxa (luta realizada após as colheitas e que consistia em derrubar o adversário com pancadas nas coxas)”, destacou o Mestre José Geraldo Oliveira, da Capoeira Meninos Guerreiros.

Com sabedoria, os mestres fizeram o público refletir sobre qual a história que é contada na sala de aula, onde a abolição pode ter sido apenas uma assinatura, bem como quais as heranças de luta que os descendentes carregam desde a abolição aos dias atuais. Com vigor, mestre Totonho afirmou que as manifestações de raízes africanas precisam ser conduzidas por afrodescendentes: “É coisa de negro. Se continuarmos passando nossa cultura, amanhã o samba será alemão”, finalizou.

 

Sorry, the comment form is closed at this time.