C/ repente e Suassuna, grupo expõe dramas de quem vive à margem

De repente Thiago, da Esquadrilha Marginália de Teatro de Rua (Cubatão)

“Thiago era um menino, tão alegre e tão legal, mas para sociedade sempre foi um marginal”…

Os versos cantados animadamente no início da apresentação do grupo Esquadrilha Marginália de Teatro de Rua usa o repente, uma expressão popular do folclore nordestino, para falar de uma realidade sentida na pele pelos protagonistas da montagem ‘De repente Thiago’. Negros, filhos de migrantes de nordestinos e moradores da mesma periferia, os atores criadores Lucas Pereira, Luiz Guilherme e Michel do Carmo usaram a arte para expressar os dramas enfrentados por quem vive à margem.

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A montagem tem como pano de fundo o universo literário de Ariano Suassuna, defensor da cultura popular e das raízes brasileiras. Na peça, encenada em plena Avenida Nove de Abril em horário de pico, três jovens retirantes estão de passagem pela cidade e resolvem contar alguns causos de Thiago, um rapaz nordestino, de origem humilde, que em meio as suas brincadeiras de menino, comete um deslize, é preso e morre. Diante do tribunal celeste formado por Deus e o Diabo, o jovem tem a última chance de provar sua inocência.

“O espetáculo usa a comédia para tocar em assuntos densos como a maioridade penal e a violência com a população periférica. Desenvolvemos todo o trabalho na rua para dialogar diretamente com a população que vive diariamente o que está sendo encenado, pois acreditamos que a arte precisa provocar reflexões maiores no público”, aponta o diretor da esquete, Sander Newton.

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