Arte popular de forma clássica

Furdunçu no casamento de Marieta, Cia AnimaLenda (Itanhaém)

Marieta é uma ‘mulé arretada’ e fica furiosa quando descobre que Benedito, seu futuro marido, perdeu seu boizinho de estimação! Será que no meio dessa trapalhada vai haver mesmo casamento? Por meio do tradicional teatro de bonecos, declarado como Patrimônio Histórico Cultural Imaterial do Brasil em 2015, a Cia Animalenda recriou o universo lúdico da cultura nordestina.

mamulengo

Diferente do que se costuma ver na tradição, a personagem central neste espetáculo é uma mulher, Marieta, e o próprio bonequeiro é, na verdade, uma bonequeira: Kely de Castro – uma das poucas mulheres brasileiras que se dedica a tradição do mamulengo, oficio desempenhado historicamente por homens. A direção do espetáculo foi feita por Danilo Cavalcanti, do Mamulengo da Folia, reconhecido mestre desta arte, e as canções são de Vinícius Camargo.

“O que buscamos foi um experimento mesclando o tradicional com pitadas de contemporaneidade. Somos jovens e viemos de uma cultura urbana. Trabalhamos com o mamulengo com o intuito de fazer um mergulho no tradicional com uma fuga para nossas colocações”, aponta Kely.

A Cia Animalenda se apoia em personagens tradicionais do Mamulengo, como o “Coroné”, o Padre, o Capeta, o Policial – tradicionais figuras de autoridade em que se sintetiza o medo, mas também o desprezo do povo pelo sistema que os reprime – e figuras marginais típicas como o bêbado e o próprio Benedito, sujeito preguiçoso e, ao mesmo tempo, herói da história.

“A peça traz à tona o debate sobre a opressão de gênero e leva para a cena elementos culturais urbanos e questões polêmicas do cotidiano do povo, além de questões políticas e sociais de nosso tempo. Buscamos preservar a raiz tradicional, seja por meio do cordel presente nos diálogos, ou da sanfona, tocada para fazer a ponte entre a bonequeira e a música”, finaliza Vinícius.

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