A roda que se reinventa em praça pública

Capoeira – Grupo Luanda (Praia Grande)

O relógio marcava exatamente meio-dia quando o som do berimbau tomou conta da Praça Mauá, no centro de Santos. Entre cânticos, pandeiros e reco-recos, a roda estava formada, mesclando integrantes da Associação Capoeira Luanda e o público diverso, que aproveitou a quebra da monotonia convencional do grande centro urbano para contemplar um misto de luta, jogo e dança de uma das mais conhecidas manifestações populares da cultura brasileira.

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“A capoeira é multi. É ao mesmo tempo cultura, esporte, dança, educação e arte.  É uma das heranças mais tradicionais da resistência dos negros brasileiros e é um orgulho mantê-la viva”, afirma o mestre Zulu. Ele e outros integrantes do Ginga Baixada – grupo que reúne representantes de diversos coletivos de capoeira da região para promover ações de cidadania por meio do esporte – participaram da segunda edição do Circuito de Cultura Popular.

Manifestação cultural genuinamente brasileira, a origem da capoeira data da época da escravidão no Brasil. Em meio ao trabalho nos engenhos de cana-de-açúcar, fazendas de café e roças, a arte era uma forma de luta e de resistência. Para não despertar suspeitas nos patrões, os escravos adaptaram os movimentos da luta aos cantos da África, fazendo tudo parecer uma dança.

Em Santos, a roda de capoeira perdurou por horas, sempre se reinventando e sendo conduzida por novos jogadores. “Há uma razão para a capoeira ser uma das manifestações populares mais conhecidas no Brasil. Ela interage diretamente com a população, sendo democrática e permitindo que o público a qualquer momento faça parte da dança”, finaliza Sol, instrutora do Ginga Baixada.

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