A degradação da cultura caiçara em cena com Marulhos

Marulhos, Cia Teatral marulhos

Pilares coloridos compõem o cenário, ao lado de dois atores que sozinhos em cena conduzem um espetáculo marcado por críticas e luta pelo resgate de resquícios de uma cultura desafiada pela especulação imobiliária e pela modernidade em detrimento aos costumes e trabalhos artesanais.

marulhos

Fruto de pesquisa cênica e musical realizada com caiçaras do litoral norte do Estado de São Paulo, ‘Marulhos’ – espetáculo e o grupo homônimo – dá voz aos caiçaras remanescentes no Litoral de São Paulo. Seus costumes se encontram em cena em todos os detalhes: seja no som da rabeca e do violão ou ainda por meio dos pilares coloridos e adornados por fitas com cores das festas religiosas tradicionais, inspirada nos troncos do kuarup – um ritual dos índios do Alto Xingú que fazem simultaneamente uma homenagem a perda da cultura caiçara e uma ode à vida.

“Cada aspecto de Marulhos foi pensado para provocar a reflexão. Nosso figurino, por exemplo, possui trechos de poemas de Domingos Fabio dos Santos, poeta de Ubatuba, além de falas de entrevistados colhidas no processo de estudo de campo”, aponta Fabíola Moraes.

Marcado por críticas, Marulhos questiona o desmatamento, a urbanização e a perda da identidade local. Passeia pelas implicações do seguro-defeso e sobre a burocratização da vida teoricamente simples do ‘homem do mar’.

Entre cantos tupinambás, cirandas e Hendel, o espetáculo lança luz aos dilemas dos caiçaras, desde a construção da Rio-Santos e os efeitos da modernização no ecossistema, até a violência e os assassinatos contra a comunidade intrinsecamente ambientalista. Um espetáculo que, mais do que entreter, cumpre o principal papel da arte que é de provocar reflexões que acompanham o espectador após a cena final.

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