A cultura do Brasil mapeada de sol a sol nas estradas

De sol a sol, do Grupo Teatro Aberto (Santos)

O que cabe dentro de um contêiner? Nas paredes de aço do Teatro a Bordo, projeto idealizado pelo grupo santista Teatro Aberto, cabe todas as memórias coletadas ao longo de oito anos de estrada pelo Brasil. E com o objetivo de resgatar as vivências e cultura local das 200 cidades por onde o caminhão-palco estacionou, os atores criaram o espetáculo ‘De sol a sol’, encenado a céu aberto, usando todos os recursos cênicos disponíveis nos palcos convencionais.

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No espetáculo, Florzinha é a nova atriz da trupe e precisa do sol para começar sua apresentação, ao lado do Grandão e do Cantador. Mas o sol insiste em não aparecer.  O motorista do caminhão é chamado às pressas e afirma que apenas quando o ‘caixola’ abrir é que o sol iluminará a tenda e permitirá a continuidade do espetáculo. É nesse momento que as figuras se alternam e começa uma nova apresentação, onde o contêiner que há 8 anos roda o Brasil passa de palco para personagem principal de um espetáculo marcado pelas muitas lendas e manifestações populares que a trupe vislumbrou pelas estradas do país.

O mito de como surgiu o sol, captado no norte do país é contado utilizando recursos técnicos de iluminação, música e dança. O ‘caixola’ é projetado em si mesmo, ressaltando suas viagens por Pernambuco, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia. Enquanto as imagens são projetadas, os ritmos musicais vão se adaptando: em meio as projeções, a canção remete às batidas do maracatu, samba, moda de viola caipira e ganha o som do tambor de minas.

A trupe usa também de outros elementos cênicos para preservar as memórias e costumes, tais como máscaras, sombras e fantoches. A magia se dá principalmente a partir da versatilidade dos recursos existentes dentro do contêiner: do cenário cercado por caixas, semelhante a um depósito até a tenda que se abre em praça pública para a chegada, em tamanho natural, do boneco que representa o menino da gaita, que canta e toca o instrumento ao vivo, em uma releitura de um fato real, vivenciado pela trupe em 2010, em Goiabal, Minas Gerais.

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